Observatório da Presença Digital Eleitoral 2026

Grupo de Pesquisa Mítica, Mídia e Política
Pesquisa · Observatório da Presença Digital Eleitoral 2026

Desigualdades na comunicação política digital: recursos, inteligência artificial generativa e assimetrias entre campanhas nas eleições de 2026 no Distrito Federal

Pesquisador(a) responsável: Saulo Lino · atualizada em 28/08/2026

Apresentação

Esta pesquisa investiga como desigualdades de recursos entre candidaturas se convertem em diferenças de capacidade de comunicação política digital, e examina se a inteligência artificial generativa atua como mecanismo de redução ou de ampliação dessas assimetrias. O estudo é conduzido no âmbito do Observatório da Presença Digital Eleitoral 2026, iniciativa do Grupo de Pesquisa Mítica, Mídia e Política dedicada ao acompanhamento longitudinal das Eleições Gerais de 2026 no Distrito Federal.

A investigação situa-se no campo da comunicação política digital. Seu fenômeno central é a desigualdade comunicacional entre campanhas: diferenças sistemáticas na capacidade de ocupar plataformas, manter presença, produzir e distribuir conteúdo, contratar publicidade e sustentar continuidade comunicacional ao longo do tempo. A inteligência artificial generativa comparece como dimensão dessa desigualdade — uma tecnologia capaz de reduzir barreiras de produção ou de ampliar vantagens já existentes, a depender de quem consegue apropriar-se dela.

A opção metodológica central é a observação da campanha enquanto ela ocorre: os dados são coletados, preservados e consolidados semanalmente, com metodologia versionada e cortes citáveis, o que permite examinar processos — entrada, intensificação, difusão — e não apenas resultados. Ausência de dado nunca é convertida em zero, e as leituras produzidas descrevem associações, sem pretensão de inferência causal. Quando diferenças econômicas se traduzem sistematicamente em diferenças de capacidade de produção e circulação de comunicação política, surge uma dimensão comunicacional relevante da desigualdade na competição eleitoral — é essa dimensão específica, e não a qualidade da democracia em abstrato, que a pesquisa se propõe a observar.

As seções seguintes apresentam o desenho formal da pesquisa — tema, conceito central, problema, objetivos, hipóteses, justificativa, objeto de estudo e procedimentos metodológicos — e, na sequência, o percurso que descreve como o Observatório operacionaliza cada dimensão do estudo.

Desenho da Pesquisa

Síntese do projeto

Tema

Desigualdades na comunicação política digital entre campanhas eleitorais, considerando recursos econômicos, estrutura digital, publicidade e apropriação da inteligência artificial generativa.

O foco está nas diferenças sistemáticas entre candidaturas na capacidade de ocupar plataformas, manter presença digital, produzir conteúdo, distribuir mensagens, contratar publicidade, gerar circulação, manter continuidade comunicacional e incorporar novas tecnologias.

Conceito central — definição operacional

Desigualdade comunicacional digital entre campanhas

Diferenças sistemáticas entre candidaturas na capacidade de ocupar plataformas digitais, produzir e distribuir conteúdo político, manter presença, investir em publicidade, alcançar públicos e incorporar tecnologias comunicacionais.

Definição operacional desta pesquisa — não um conceito consolidado da literatura —, articulada aos estudos de comunicação política digital, plataformas, desigualdade e campanhas.

Problema — pergunta norteadora

Em que medida as desigualdades de recursos entre candidaturas estão associadas a assimetrias de capacidade comunicacional digital, e a adoção da inteligência artificial generativa reduz ou amplia essas diferenças ao longo das eleições de 2026 no Distrito Federal?

Objetivo geral

Analisar longitudinalmente as desigualdades de capacidade comunicacional digital entre candidaturas do Distrito Federal nas eleições de 2026, examinando sua associação com diferenças de recursos econômicos, estrutura digital, intensidade publicitária e adoção de inteligência artificial generativa.

Objetivos específicos

  1. mensurar diferenças de presença e estrutura digital entre candidaturas;
  2. analisar desigualdades na intensidade e continuidade da publicidade política digital;
  3. examinar a relação entre recursos econômicos e capacidade comunicacional digital;
  4. identificar e comparar padrões de adoção de inteligência artificial generativa na produção de conteúdo eleitoral;
  5. verificar se a IA generativa tende a reduzir, manter ou ampliar assimetrias comunicacionais entre campanhas;
  6. acompanhar longitudinalmente a evolução dessas desigualdades ao longo do período eleitoral;
  7. comparar padrões entre cargos, partidos e características sociodemográficas quando metodologicamente adequado.

Hipóteses

H1 — Desigualdade de recursos e capacidade comunicacionalCandidaturas com maior disponibilidade de recursos econômicos apresentam maior capacidade comunicacional digital, expressa por maior presença, continuidade, intensidade publicitária e ocupação das plataformas.
H2 — Democratização pela IA generativaA inteligência artificial generativa pode reduzir parte das desigualdades de capacidade produtiva, permitindo que campanhas com menor estrutura produzam conteúdo em maior quantidade e com menor custo.
H3 — Reprodução ou ampliação da desigualdadeA adoção mais intensa e estruturada da inteligência artificial generativa tende a ocorrer entre candidaturas que já dispõem de maior financiamento e estrutura digital, reproduzindo ou ampliando assimetrias comunicacionais existentes.
H4 — Difusão temporalAs diferenças de capacidade comunicacional e de adoção da IA generativa podem diminuir ao longo da campanha à medida que práticas, ferramentas e conhecimentos tecnológicos se difundem.

As hipóteses são concorrentes e serão confrontadas empiricamente.

Justificativa

Acadêmica

Parte expressiva da literatura sobre inteligência artificial nas eleições concentra-se em deepfakes, desinformação e manipulação. Esta pesquisa desloca a questão para quem dispõe de maior capacidade de apropriação das tecnologias e como essa capacidade se distribui entre as campanhas — articulando comunicação política digital, desigualdade, recursos das campanhas, plataformas, publicidade e IA generativa.

Profissional

O estudo utiliza e desenvolve uma infraestrutura própria de pesquisa capaz de integrar, preservar e analisar longitudinalmente dados eleitorais, presença digital, publicidade política e financiamento, produzindo procedimentos reproduzíveis para investigação da comunicação eleitoral digital.

Social

A competição eleitoral pressupõe pluralidade e condições minimamente equitativas de circulação das mensagens políticas. Quando desigualdades econômicas se convertem em grandes diferenças de capacidade de produção, distribuição e presença digital, determinados atores podem ocupar de forma desproporcional o espaço comunicacional eleitoral. Investigar essas assimetrias pode contribuir para compreender uma dimensão relevante das condições de competição democrática — sem antecipar conclusões sobre a qualidade da democracia como um todo.

Objeto de estudo

Objeto empírico: a comunicação política digital das candidaturas do Distrito Federal nas eleições de 2026, com foco na publicidade eleitoral, presença digital, estrutura comunicacional e apropriação da inteligência artificial generativa.

Unidade elementar de observaçãoanúncio ou criativo eleitoral
Unidade longitudinalcandidatura × semana
Unidade contextualcandidatura
anúnciocandidaturaSemana

O anúncio é o que se observa; a candidatura é o contexto que o explica; a semana é o eixo em que a relação entre ambos evolui.

Operacionalização do conceito central

A capacidade comunicacional digital é operacionalizada exclusivamente por variáveis observáveis, em cinco dimensões:

Presença implementado — redes declaradas ao TSE; perfis confirmados por validação humana; plataformas ocupadas; continuidade temporal da presença.

Publicidade implementado — quantidade de anúncios; anúncios ativos; frequência e recorrência; faixas de gasto; faixas de impressões.

Audiência implementado — seguidores; crescimento semanal; continuidade das métricas.

Recursos implementado — despesas contratadas e pagas; impulsionamento declarado. Patrimônio: próxima etapa.

Adoção tecnológica agenda de pesquisa — uso de IA generativa; modalidade de uso; intensidade; recorrência.

Nenhum índice sintético de capacidade comunicacional é adotado sem metodologia explícita: os indicadores compostos existentes (presença digital presence-v1 e estrutura digital structure-v1) são transparentes, versionados, decomponíveis em seus componentes e auditáveis — e qualquer medida futura seguirá o mesmo padrão.

Procedimentos metodológicos

Métodos de coleta de dados

TSE (dados oficiais) implementado — identificação das candidaturas, cargo, partido, gênero, raça/cor, escolaridade, ocupação, situação do registro, redes sociais declaradas, despesas e impulsionamento declarados na prestação de contas. Patrimônio e receitas: próxima etapa (datasets ainda não ingeridos).

Meta Ad Library implementado — anúncios, páginas anunciantes, período de circulação, plataformas, faixas de gasto, faixas de impressões e peças textuais dos criativos disponíveis.

Instagram / presença digital implementado — perfis declarados e confirmados por validação humana, snapshots, seguidores e evolução temporal da presença.

IA generativa agenda de pesquisa — preservação sistemática dos criativos (imagem, vídeo, áudio, voz, texto), metadados, proveniência e evidências de uso de IA. Etapa futura, ainda não implementada.

Métodos de análise de dados

Estatística descritiva implementado — frequência, prevalência, distribuição, cobertura, médias, medianas e percentis quando apropriado (sempre acompanhados do N).

Análise comparativa implementado — comparações por cargo, partido, financiamento, gênero, raça/cor, escolaridade, estrutura digital e intensidade publicitária; comparações de intensidade apenas entre candidaturas do mesmo cargo. Corte por patrimônio: próxima etapa.

Análise longitudinal implementado — unidade candidatura × semana; entrada, crescimento, persistência, difusão, concentração e mudança temporal.

Análise multimodal agenda de pesquisa — imagem, vídeo, áudio e texto dos criativos, com evidências de IA e validação humana.

Modelagem estatística agenda de pesquisa — regressão, modelos longitudinais e modelos multinível, somente quando houver dados adequados e justificativa metodológica.

O desenho descreve associações; não autoriza inferência causal.

Conceitos-chave e principais autores
Comunicação política digital
Andrew Chadwick
sistema híbrido de mídia
Plataformas e arquiteturas digitais
Michael Bossetta
arquiteturas; affordances; condicionamento das estratégias de comunicação
Estrutura e organização das campanhas
Rachel Gibson · Andrea Römmele
estrutura de campanha; organização; profissionalização; adoção tecnológica — sem equiparar automaticamente estrutura digital a profissionalização
Desigualdade política digital
Daniel S. Lane · Emilija Gagrčin · Ying Qi Pan
desigualdade de recursos; apropriação tecnológica; desigualdade política digital
Recursos e assimetrias
Pierre Bourdieu
apoio complementar, sem operacionalizações indevidas — financiamento e patrimônio não são rotulados de "capital" sem fundamentação conceitual
Inteligência artificial nas campanhas
Andreas Jungherr · Adrian Rauchfleisch · Alexander Wuttke
usos de IA em produção, operações, alcance e conteúdo enganoso — a IA aparece depois do problema da desigualdade comunicacional, não antes dele

Coerência do desenho

O desenho é coerente porque a pergunta investiga desigualdade comunicacional; o Observatório coleta dados sobre recursos, presença, publicidade e temporalidade; os métodos quantitativos e longitudinais permitem comparar candidaturas; e a análise futura da IA permitirá investigar se uma nova tecnologia comunicacional reduz ou amplia assimetrias previamente observadas.

Desigualdade de recursosCapacidade comunicacional digitalAssimetrias entre campanhasPublicidade · presença · produçãoAdoção de IA generativaEvolução longitudinalImplicações para a competição eleitoral

Há coerência entre problema, objetivos, objeto, dados disponíveis, métodos e conceitos mobilizados.

Percurso metodológico

Como o Observatório operacionaliza a pesquisa

O desenho acima apresenta a estrutura formal da pesquisa. O percurso a seguir mostra como cada dimensão é operacionalizada pelo Observatório — etapa a etapa, do universo eleitoral à agenda futura de IA generativa. Cada etapa é um desdobramento da síntese.

Como ler os selos: implementado capacidade encontrada em funcionamento · próxima etapa planejada, ainda não implementada · agenda de pesquisa hipóteses e análises futuras
01 · UNIVERSO ELEITORAL

Quem está na disputa? implementado

Quem são os atores eleitorais cuja comunicação será observada?

Toda pesquisa de comunicação política começa definindo de quem se fala. O Observatório parte do registro oficial de candidaturas do TSE: são 620 candidaturas do Distrito Federal (Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Distrital), de 28 partidos, com cargo, gênero, raça/cor, escolaridade, ocupação e situação do registro — e um histórico que preserva cada mudança de situação ao longo do tempo, em vez de sobrescrevê-la. Essa fundação define o universo, a unidade contextual (a candidatura) e as características dos atores que as etapas seguintes vão relacionar com a comunicação.

Pergunta
quem disputa, com que perfil sociodemográfico e em que situação de registro
Dados
620 candidaturas · 4 cargos · 28 partidos · atributos oficiais do TSE
Coleta de dados
importação idempotente do dataset oficial, com histórico de situação e proveniência por coleta
O que já existe
cadastro completo DF com atualização diária implementado
O que permite investigar
comparações entre grupos de candidaturas (cargo, gênero, raça/cor, escolaridade) nas etapas 5 e 6
Ainda não coletado
patrimônio declarado (dataset bem_candidato do TSE) próxima etapa
02 · PRESENÇA DIGITAL

Quem consegue estar presente? implementado

Como as candidaturas ocupam o ambiente digital — e como sabemos que um perfil é mesmo delas?

Plataformas não são canais neutros: cada uma tem arquitetura e affordances próprias que condicionam o que uma campanha consegue fazer nela (Bossetta). Por isso o Observatório não pergunta apenas se a candidatura tem perfil, mas onde, desde quando é observável e com que grau de certeza a identidade foi estabelecida. A base distingue explicitamente a identidade declarada — 1522 vínculos informados pelos próprios candidatos ao TSE — da identidade descoberta: perfis localizados por pesquisa assistida, verificados por requisição real e submetidos a validação humana (18 confirmados até agora, com registro de quem validou e quando). Perfis não confirmados nunca entram em análise, API ou exportação.

Pergunta
em que plataformas cada candidatura está presente, com identidade rastreável
Dados
1522 vínculos declarados · 18 confirmados por validação humana · 12 plataformas · 124 snapshots de perfil
Coleta de dados
máquina de estados da identidade (declarado → encontrado → confirmado/descartado) com evidência e trilha de auditoria
O que já existe
mapa de presença por plataforma e observação de perfis de Instagram implementado
O que permite investigar
presença digital como fenômeno comunicacional — ocupação do ambiente, não mera existência de conta
Base acadêmica
Bossetta — arquiteturas e affordances das plataformas de campanha
03 · PUBLICIDADE

Quem consegue produzir e distribuir mais? implementado

Como as campanhas utilizam publicidade política digital?

Em um sistema híbrido de mídia (Chadwick), a campanha circula entre palanque, imprensa e plataformas — e a publicidade digital é a parte dessa circulação que deixa registro público. O acervo reúne 27581 anúncios políticos da Meta Ad Library, veiculados por 724 páginas anunciantes desde 02/2020, com período de veiculação, plataformas de exibição, faixas de gasto e de impressões (a Meta publica faixas, não valores exatos — e o Observatório as apresenta como faixas, nunca como números precisos). O anúncio é a unidade elementar de observação da pesquisa (o que se observa), sempre encadeada às demais: anúncio → candidatura → semana.

Pergunta
quem anuncia, quando, em que plataformas e com que intensidade
Dados
27581 anúncios · 724 páginas · faixas de gasto e impressões · peças textuais pesquisáveis
Coleta de dados
coleta diária com vínculo anúncio–candidatura heurístico e auditável (confiança registrada), série de observações por conteúdo
O que já existe
acervo longitudinal com busca textual em português implementado
O que permite investigar
a publicidade como prática comunicacional situada no tempo da campanha
Limite documentado
Google retirou anúncios eleitorais brasileiros de seu repositório público; TikTok não mantém biblioteca no país — o gasto fora da Meta só aparece pela via da etapa 4
Base acadêmica
Chadwick — sistema híbrido de mídia
04 · RECURSOS

Quem dispõe de mais recursos? implementado

Como os recursos econômicos entram na comunicação digital?

Comunicação custa dinheiro, e desigualdades de recurso são parte clássica da explicação das desigualdades políticas — desde que "recurso" não vire rótulo automático: a leitura em termos de capitais (Bourdieu) é horizonte interpretativo, não etiqueta aplicada a qualquer cifra. O Observatório ingere a prestação de contas eleitoral do TSE (1177 itens de despesa, 156 deles de impulsionamento de conteúdo), preservando uma distinção que protege a análise de dupla contagem: despesas contratadas e pagas são estágios da mesma despesa e nunca são somadas entre si. Fornecedores são classificados — inclusive gateways de pagamento que intermediam plataformas e mascaram o destino final do gasto, caso em que nenhuma plataforma é atribuída. A relação entre financiamento e publicidade observada é apresentada sempre como associação, não causalidade.

Pergunta
que volume de recursos declarados alimenta a comunicação digital das campanhas
Dados
1177 itens da prestação de contas · impulsionamento · fornecedores · gateways
Coleta de dados
ingestão com travas anti-duplicação (contratada ≠ paga; unicidade por conteúdo do item)
O que já existe
financiamento declarado cruzável com a publicidade observada implementado
O que permite investigar
a dimensão econômica da comunicação — quanto do dinheiro da campanha vira presença paga
Base acadêmica
Bourdieu (uso comedido) — recursos e posições desiguais no espaço social
05 · TEMPO

Como essas diferenças evoluem? implementado

Como a presença e a intensidade da comunicação eleitoral evoluem durante a campanha?

Este é o compromisso central do desenho: observar a campanha enquanto ela ocorre, em vez de reconstruí-la apenas depois da eleição. A cada semana ISO, a base consolida métricas por candidatura — seguidores e sua variação, anúncios novos e ativos, faixas de gasto e impressões, despesas declaradas, índice de presença digital e estrutura digital de campanha. São 8 semanas calculadas (2026-W27 a 2026-W34), com metodologia versionada e persistida (4 versões registradas). E a cada semana um release científico imutável e citável congela o corte (2 publicados; o mais recente: OPDE-DF-2026-W34-r1), com soma de verificação por arquivo — correções geram revisões, nunca sobrescrevem o original. Ausência de dado nunca é convertida em zero: cada métrica carrega o seu motivo (não coletado, sem perfil, não encontrado na fonte).

Pergunta
que trajetórias as campanhas descrevem — aceleração, constância, retração
Dados
séries semanais por candidatura · 8 semanas · 2 releases citáveis
Tratamento dos dados
agregação semanal determinística (candidatura × semana ISO, horário de Brasília), metodologia versionada, releases imutáveis
O que já existe
séries temporais e releases científicos implementado — a série de seguidores começa em ago/2026, início da coleta de métricas de perfil
O que permite investigar
a campanha como processo: quando cada candidatura entra, intensifica ou abandona a comunicação paga
06 · DESIGUALDADE

Há desigualdade comunicacional? implementado

Os recursos das candidaturas estão associados a diferenças em sua capacidade de comunicação digital?

A literatura sobre campanhas digitais mostra que a adoção de tecnologia não é uniforme: depende da organização, dos recursos e da capacidade de cada estrutura de campanha (Gibson; Römmele) — sem que "estrutura digital" deva ser traduzida automaticamente como "profissionalização", termo que carrega julgamentos que os dados não sustentam. E a pesquisa sobre desigualdade política digital (Lane; Gagrčin; Pan) indica que a participação e a visibilidade online reproduzem, com frequência, assimetrias sociais preexistentes. A camada analítica cruza as características da etapa 1 e os recursos da etapa 4 com a presença, a publicidade e as trajetórias das etapas 2, 3 e 5: cortes por cargo, partido, gênero, raça/cor, escolaridade e ocupação, sempre com N, cobertura, mediana e quartis — e comparações de intensidade publicitária feitas apenas entre candidaturas do mesmo cargo. O eixo é desigualdade de recursos → capacidade digital → publicidade e visibilidade, lido como associação descritiva; nenhuma correlação é apresentada como explicação causal.

Pergunta
como características sociais e recursos econômicos se distribuem em relação à presença e à publicidade digital
Dados
cortes sociodemográficos oficiais × métricas semanais × percentis por cargo
Análise de dados
estatística descritiva e comparativa com cobertura explícita; indicadores compostos sempre decompostos em seus componentes
O que já existe
área de desigualdade digital da camada analítica implementado
Ainda não disponível
corte por patrimônio — depende da coleta do dataset bem_candidato próxima etapa
Base acadêmica
Gibson; Römmele — organização e adoção tecnológica nas campanhas · Lane, Gagrčin, Pan — desigualdade política digital
07 · INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA

A IA reduz ou amplia essas assimetrias? agenda de pesquisa

Em que medida as desigualdades de recursos entre candidaturas estão associadas a assimetrias de capacidade comunicacional digital, e a adoção da inteligência artificial generativa reduz ou amplia essas diferenças ao longo das eleições de 2026 no Distrito Federal?

Esta etapa ainda não existe. Nada no Observatório hoje detecta, classifica ou mede uso de IA. Aqui a inteligência artificial generativa entra não como tema tecnológico, mas como tecnologia capaz de alterar a distribuição de capacidade comunicacional entre as campanhas: a questão é se ela reduz barreiras de produção ou amplia vantagens já existentes. O terreno que torna isso investigável já está posto: um acervo longitudinal de anúncios com peças textuais arquivadas e referência a cada criativo (etapa 3), a régua de recursos (etapa 4), as séries temporais (etapa 5) e a moldura de desigualdade comunicacional (etapa 6). A pesquisa recente sobre IA em campanhas (Jungherr; Rauchfleisch; Wuttke) recomenda não reduzir o fenômeno ao deepfake: ferramentas generativas atravessam a produção das peças, as operações da campanha, o alcance e a persuasão — inclusive em usos banais e legítimos. A futura análise pretende observar separadamente texto, imagem, vídeo, áudio e voz, e as peças multimodais que os combinam.

As etapas 2–6 já permitem confrontar H1 (desigualdade de recursos e capacidade comunicacional); esta etapa fornecerá a medida de adoção de IA que faltará para confrontar H2 (democratização pela IA), H3 (reprodução ou ampliação da desigualdade) e H4 (difusão temporal), apresentadas no desenho da pesquisa no início desta página — comparando, semana a semana, recursos, estrutura digital e padrões de adoção. Nenhuma das hipóteses é resultado — são expectativas rivais que a infraestrutura existente permitirá confrontar com dados.

Método previsto: evidências, não veredito agenda de pesquisa

A análise futura não será um "detector de IA" binário. A atribuição se apoiará em evidências multimodais convergentes — credenciais de conteúdo e proveniência (C2PA/Content Credentials), metadados dos arquivos, disclosures exigidos pelas plataformas, identificadores de conteúdo sintético, detectores especializados usados como indício (nunca como sentença) e validação humana, no mesmo desenho já usado para a identidade digital na etapa 2. O resultado será uma classificação graduada:

ClasseLeitura
CONFIRMED_AIevidência forte e verificável de geração por IA (ex.: credencial de proveniência)
PROBABLE_AImúltiplos indícios independentes convergem
POSSIBLE_AI_ASSISTANCEindícios de uso auxiliar de IA na produção da peça
NO_AI_EVIDENCEnenhuma evidência encontrada — o que não significa "produzido por humano": significa apenas que as evidências disponíveis não permitem afirmar uso de IA
INDETERMINATEmaterial insuficiente ou inacessível para avaliação

A unidade de análise se desdobra agenda de pesquisa

Hoje o modelo encadeia candidatura → perfil → anúncio → tempo. A agenda futura desdobra o anúncio em suas peças:

ANÚNCIO TEXTO IMAGEM VÍDEO ÁUDIO EVIDÊNCIAS DE IA CLASSIFICAÇÃO CANDIDATURA · TEMPO

Elementos tracejados indicam a camada futura (agenda de pesquisa); os demais existem no modelo atual. O acervo de hoje arquiva as peças textuais e a referência de cada criativo; a coleta sistemática de mídia (imagem, vídeo, áudio) integra a etapa futura.

O que atravessa todas as etapas

Proveniência, longitudinalidade, versionamento, auditoria e reprodutibilidade não são etapa: são o fio que costura o percurso. Cada dado bruto coletado é preservado de forma imutável com soma de verificação (16 artefatos brutos até agora); observações novas nunca sobrescrevem observações antigas; as fórmulas dos indicadores são versionadas e publicadas junto dos dados; decisões humanas (confirmar um perfil, aprovar um membro) deixam trilha de quem e quando; e os releases semanais permitem que qualquer pesquisador refaça uma análise sobre exatamente o mesmo corte que a originou. É essa disciplina que autoriza a etapa 7: uma futura classificação de IA só terá valor científico se cada rótulo puder ser rastreado até as evidências que o produziram.

Governança e integridade da pesquisa

O Observatório opera sobre infraestrutura da CRIVO, que também presta serviços digitais a candidaturas — inclusive algumas presentes neste universo de pesquisa. Essa condição está declarada na documentação metodológica e será declarada em qualquer publicação. As regras analíticas são idênticas para todas as candidaturas, por construção: os indicadores são calculados em uma única passada sobre o universo completo, sem qualquer tratamento particular. O painel analítico é de acesso restrito ao grupo de pesquisa; os dados saem para o público na forma de releases citáveis, com metodologia anexada. A disputa presidencial está fora do recorte por decisão registrada (tamanho do universo, ruído de anúncios de terceiros e limites de coleta), podendo aparecer em pesquisa apenas como contexto descritivo.

Observatório da Presença Digital Eleitoral 2026 · Grupo de Pesquisa Mítica, Mídia e Política. Fontes primárias: TSE Dados Abertos; Meta Ad Library; observação de perfis públicos. Acesso de pesquisa via API autenticada e releases científicos.