Desigualdades na comunicação política digital: recursos, inteligência artificial generativa e assimetrias entre campanhas nas eleições de 2026 no Distrito Federal
Pesquisador(a) responsável: Saulo Lino · atualizada em 25/10/2026
Esta pesquisa investiga como desigualdades de recursos entre candidaturas se convertem em diferenças de capacidade de comunicação política digital, se a inteligência artificial generativa atua como mecanismo de redução ou de ampliação dessas assimetrias e em que medida elas acompanham o desempenho das candidaturas nas urnas. O estudo é conduzido no âmbito do Observatório da Presença Digital Eleitoral 2026, iniciativa do Grupo de Pesquisa Mítica, Mídia e Política dedicada ao acompanhamento longitudinal das Eleições Gerais de 2026 no Distrito Federal.
A investigação situa-se no campo da comunicação política digital. Seu fenômeno central é a desigualdade comunicacional entre campanhas: diferenças sistemáticas na capacidade de ocupar plataformas, manter presença, produzir e distribuir conteúdo, contratar publicidade e sustentar continuidade comunicacional ao longo do tempo. A inteligência artificial generativa comparece como dimensão dessa desigualdade — uma tecnologia capaz de reduzir barreiras de produção ou de ampliar vantagens já existentes, a depender de quem consegue apropriar-se dela. O resultado eleitoral comparece como desfecho: não é o fenômeno estudado, mas o ponto em que se pode perguntar se a capacidade comunicacional acumulada durante a campanha encontrou correspondência no voto.
A opção metodológica central é a observação da campanha enquanto ela ocorre: os dados são coletados, preservados e consolidados semanalmente, com metodologia versionada e cortes citáveis, o que permite examinar processos — entrada, intensificação, difusão — e não apenas resultados. Ao fim de cada turno, o resultado oficial por seção eleitoral é incorporado à mesma base e vinculado a cada candidatura, de modo que o desfecho possa ser lido contra a série que o antecedeu. Ausência de dado nunca é convertida em zero, e as leituras produzidas descrevem associações, sem pretensão de inferência causal: a comunicação é observada por candidatura e o voto é contado por seção, e a relação entre ambos é lida no nível da candidatura, dentro de cada cargo e turno, nunca no nível do eleitor.
Quando diferenças econômicas se traduzem sistematicamente em diferenças de capacidade de produção e circulação de comunicação política, surge uma dimensão comunicacional relevante da desigualdade na competição eleitoral — é essa dimensão específica, e não a qualidade da democracia em abstrato, que a pesquisa se propõe a observar. Saber se essa dimensão acompanha o desempenho nas urnas não encerra a questão, mas diz algo sobre o peso que ela tem na disputa.
As seções seguintes apresentam o desenho formal da pesquisa — tema, conceito central, problema, objetivos, hipóteses, justificativa, objeto de estudo e procedimentos metodológicos — e, na sequência, o percurso que descreve como o Observatório operacionaliza cada dimensão do estudo, da definição do universo ao resultado oficial.
Síntese do projeto
Tema
Desigualdades na comunicação política digital entre campanhas eleitorais — recursos econômicos, estrutura digital, publicidade e apropriação da inteligência artificial generativa — e sua relação com o desempenho eleitoral.
O foco está nas diferenças sistemáticas entre candidaturas na capacidade de ocupar plataformas, manter presença digital, produzir conteúdo, distribuir mensagens, contratar publicidade, gerar circulação, manter continuidade comunicacional e incorporar novas tecnologias — e em saber se essas diferenças, observadas ao longo da campanha, acompanham o resultado obtido nas urnas por cada candidatura, dentro do seu cargo.
Desigualdade comunicacional digital entre campanhas
Diferenças sistemáticas entre candidaturas na capacidade de ocupar plataformas digitais, produzir e distribuir conteúdo político, manter presença, investir em publicidade, alcançar públicos e incorporar tecnologias comunicacionais.
Definição operacional desta pesquisa — não um conceito consolidado da literatura —, articulada aos estudos de comunicação política digital, plataformas, desigualdade e campanhas. O desempenho eleitoral não integra o conceito: é o desfecho contra o qual a desigualdade comunicacional é lida.
Em que medida as desigualdades de recursos entre candidaturas estão associadas a assimetrias de capacidade comunicacional digital, a adoção da inteligência artificial generativa reduz ou amplia essas diferenças, e essas assimetrias acompanham o desempenho eleitoral das candidaturas ao longo das eleições de 2026 no Distrito Federal?
Objetivo geral
Analisar longitudinalmente as desigualdades de capacidade comunicacional digital entre candidaturas do Distrito Federal nas eleições de 2026, examinando sua associação com diferenças de recursos econômicos, estrutura digital, intensidade publicitária e adoção de inteligência artificial generativa, e sua relação com o desempenho eleitoral das candidaturas em cada turno.
Objetivos específicos
- mensurar diferenças de presença, audiência e estrutura digital entre candidaturas;
- analisar desigualdades na intensidade e na continuidade da produção e da publicidade política digital;
- examinar a relação entre recursos econômicos — financiamento declarado e patrimônio — e capacidade comunicacional digital;
- identificar e comparar padrões de adoção de inteligência artificial generativa na produção de conteúdo eleitoral;
- verificar se a IA generativa tende a reduzir, manter ou ampliar assimetrias comunicacionais entre campanhas;
- acompanhar longitudinalmente a evolução dessas desigualdades ao longo do período eleitoral;
- examinar a associação entre capacidade comunicacional digital e desempenho eleitoral — votos nominais, proporção dos votos válidos do cargo e situação de totalização — por cargo e turno;
- comparar padrões entre cargos, partidos e características sociodemográficas quando metodologicamente adequado.
Hipóteses
As hipóteses são concorrentes e serão confrontadas empiricamente. H1 a H4 dizem respeito à campanha em curso; H5 e H6 só podem ser confrontadas depois de cada turno, com os resultados oficiais por seção.
Acadêmica
Parte expressiva da literatura sobre inteligência artificial nas eleições concentra-se em deepfakes, desinformação e manipulação, e os estudos sobre campanha digital nem sempre relacionam presença e atividade à sua distribuição desigual entre candidaturas e ao resultado nas urnas. Esta pesquisa desloca a questão para quem dispõe de maior capacidade de apropriação das tecnologias, como essa capacidade se distribui entre as campanhas e se ela acompanha o desempenho eleitoral — articulando comunicação política digital, desigualdade, recursos das campanhas, plataformas, publicidade, IA generativa e resultado eleitoral, com dados observados durante a campanha, e não reconstruídos depois dela.
Profissional
O estudo utiliza e desenvolve uma infraestrutura própria de pesquisa capaz de integrar, preservar e analisar longitudinalmente dados eleitorais, presença digital, publicidade política, financiamento e resultado oficial por seção, produzindo procedimentos reproduzíveis para investigação da comunicação eleitoral digital — do registro da candidatura à totalização.
Social
A competição eleitoral pressupõe pluralidade e condições minimamente equitativas de circulação das mensagens políticas. Quando desigualdades econômicas se convertem em grandes diferenças de capacidade de produção, distribuição e presença digital, determinados atores podem ocupar de forma desproporcional o espaço comunicacional eleitoral. Investigar essas assimetrias pode contribuir para compreender uma dimensão relevante das condições de competição democrática — sem antecipar conclusões sobre a qualidade da democracia como um todo. Saber se a assimetria comunicacional acompanha o resultado das urnas ajuda a dimensionar o que está em jogo quando a comunicação eleitoral é desigual.
Objeto de estudo
Objeto empírico: a comunicação política digital das candidaturas do Distrito Federal nas eleições de 2026 — publicidade eleitoral, presença digital, estrutura comunicacional e apropriação da inteligência artificial generativa — e a relação dessa comunicação com o desempenho eleitoral de cada candidatura nas urnas.
O anúncio é o que se observa; a candidatura é o contexto que o explica; a semana é o eixo em que a relação entre ambos evolui. O desempenho eleitoral entra como atributo da candidatura ao fim do processo: os votos são contados por seção eleitoral e agregados à candidatura e ao cargo — a seção é unidade de agregação do voto, não nova unidade de observação da comunicação.
Operacionalização do conceito central
A capacidade comunicacional digital é operacionalizada exclusivamente por variáveis observáveis, em cinco dimensões:
Presença implementado — redes declaradas ao TSE; perfis confirmados por validação humana; plataformas ocupadas; continuidade temporal da presença; regra publicada de perfil principal quando a candidatura declara mais de um perfil na mesma rede.
Publicidade implementado — quantidade de anúncios; anúncios ativos; frequência e recorrência; gasto exato por anunciante, pelo Relatório da Biblioteca de Anúncios da Meta, com faixas apenas onde o relatório não cobre; faixas de impressões.
Audiência implementado — seguidores e crescimento semanal em Instagram, Facebook, TikTok, X e YouTube; publicações e comentários dos perfis observados; continuidade das métricas.
Recursos implementado — despesas contratadas e pagas e receitas declaradas, sempre na versão vigente da prestação de contas; impulsionamento declarado; patrimônio declarado no registro da candidatura.
Adoção tecnológica agenda de pesquisa — uso de IA generativa; modalidade de uso; intensidade; recorrência.
O desempenho eleitoral não é dimensão da capacidade comunicacional: é o desfecho contra o qual ela é lida. É operacionalizado por três medidas oficiais por candidatura e turno — votos nominais, proporção dos votos válidos do cargo e situação de totalização (eleita, suplente, não eleita, segundo turno) — e, quando o recorte pedir, pela distribuição dos votos por seção, local de votação e Região Administrativa implementado.
Nenhum índice sintético de capacidade comunicacional é adotado sem metodologia explícita: os indicadores compostos existentes (presença digital presence-v2 e estrutura digital structure-v2) são transparentes, versionados, decomponíveis em seus componentes e auditáveis — e, quando uma regra muda, a série é recalculada desde o início e a versão anterior é preservada, não apagada. Qualquer medida futura seguirá o mesmo padrão.
Métodos de coleta de dados
TSE (dados oficiais) implementado — identificação das candidaturas, cargo, partido, gênero, raça/cor, escolaridade, ocupação, situação do registro, redes sociais declaradas, despesas, receitas e impulsionamento declarados na prestação de contas (apenas a versão vigente de cada entrega conta) e patrimônio declarado no registro da candidatura.
Meta Ad Library implementado — anúncios, páginas anunciantes, período de circulação, plataformas, faixas de impressões e peças textuais dos criativos disponíveis; gasto exato por anunciante pelo Relatório da Biblioteca de Anúncios, ficando a faixa como recurso secundário, apenas onde o relatório não cobre.
Presença digital multiplataforma implementado — perfis declarados e confirmados por validação humana em Instagram, Facebook, TikTok, X, YouTube e sites declarados; medições periódicas de audiência, publicações e comentários; peças de maior circulação por semana.
Pautas do conteúdo implementado — de que assunto cada peça fala, por léxico de 22 pautas submetido a conferência automática que só publica a etiqueta citando um trecho verificado no próprio texto. A etiqueta afirma que a peça menciona o assunto — não a posição defendida, a prioridade ou a proposta — e só existe onde existe texto.
Menções na imprensa implementado — artigos de veículos monitorados casados às candidaturas por regra conservadora, com nomes de urna de um só token marcados para triagem humana em vez de somados em silêncio.
Resultado eleitoral (TSE) implementado — votação por seção eleitoral (votos nominais, de legenda, brancos e nulos), comparecimento e abstenção por seção, locais de votação e situação de totalização de cada candidatura (eleita, suplente, não eleita, segundo turno), carregados urna a urna a partir dos dados abertos do TSE, turno a turno, com soma de verificação por arquivo e vínculo ao cadastro pela sequência oficial da candidatura.
IA generativa agenda de pesquisa — preservação sistemática dos criativos (imagem, vídeo, áudio, voz, texto), metadados, proveniência e evidências de uso de IA. Etapa futura, ainda não implementada.
Métodos de análise de dados
Estatística descritiva implementado — frequência, prevalência, distribuição, cobertura, médias, medianas e percentis quando apropriado (sempre acompanhados do N).
Análise comparativa implementado — comparações por cargo, partido, financiamento, gênero, raça/cor, escolaridade, faixa de patrimônio declarado, estrutura digital e intensidade publicitária; comparações de intensidade apenas entre candidaturas do mesmo cargo.
Análise longitudinal implementado — unidade candidatura × semana; entrada, crescimento, persistência, difusão, concentração e mudança temporal.
Análise de pautas implementado — distribuição dos assuntos declarados nas peças por candidatura, cargo e semana, calculada sobre as peças com texto e sempre acompanhada da evidência que sustenta cada etiqueta.
Análise de desempenho eleitoral próxima etapa — associação, por cargo e turno, entre as dimensões de capacidade comunicacional observadas durante a campanha (presença, audiência, produção, publicidade e recursos) e o desempenho nas urnas (votos nominais, proporção dos votos válidos do cargo e situação de totalização), com N, cobertura, mediana e quartis. Hoje o painel já relaciona voto a despesa declarada (despesa por voto) e apresenta, por cargo, votos ao lado de gasto, anúncios e seguidores implementado; a medida de associação com a capacidade comunicacional ainda não existe. Os votos são contados por seção e a comunicação é observada por candidatura: a leitura fica no nível da candidatura, sem inferir o comportamento de eleitores individuais.
Análise multimodal agenda de pesquisa — imagem, vídeo, áudio e texto dos criativos, com evidências de IA e validação humana.
Modelagem estatística agenda de pesquisa — regressão, modelos longitudinais e modelos multinível, somente quando houver dados adequados e justificativa metodológica.
O desenho descreve associações; não autoriza inferência causal.
Coerência do desenho
O desenho é coerente porque a pergunta investiga desigualdade comunicacional e seu desfecho; o Observatório coleta dados sobre recursos, presença, produção, publicidade e temporalidade, e incorpora o resultado oficial por seção ao fim de cada turno; os métodos quantitativos e longitudinais permitem comparar candidaturas e relacionar a capacidade comunicacional observada ao desempenho eleitoral, fechando o encadeamento que vai da desigualdade de recursos à competição eleitoral; e a análise futura da IA permitirá investigar se uma nova tecnologia comunicacional reduz ou amplia assimetrias previamente observadas.
Há coerência entre problema, objetivos, objeto, dados disponíveis, métodos e conceitos mobilizados: cada hipótese remete a dados que o Observatório já coleta ou a uma etapa declarada como futura.
Como o Observatório operacionaliza a pesquisa
O desenho acima apresenta a estrutura formal da pesquisa. O percurso a seguir mostra como cada dimensão é operacionalizada pelo Observatório — etapa a etapa, do universo eleitoral ao resultado nas urnas, passando pela agenda futura de IA generativa. Cada etapa é um desdobramento da síntese.
Quem está na disputa? implementado
Quem são os atores eleitorais cuja comunicação será observada?
Toda pesquisa de comunicação política começa definindo de quem se fala. O Observatório parte do registro oficial de candidaturas do TSE: são 629 candidaturas do Distrito Federal (Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Distrital), de 29 partidos, com cargo, gênero, raça/cor, escolaridade, ocupação e situação do registro — e um histórico que preserva cada mudança de situação ao longo do tempo, em vez de sobrescrevê-la. Essa fundação define o universo, a unidade contextual (a candidatura) e as características dos atores que as etapas seguintes vão relacionar com a comunicação.
- Pergunta
- quem disputa, com que perfil sociodemográfico e em que situação de registro
- Dados
- 629 candidaturas · 4 cargos · 29 partidos · atributos oficiais do TSE
- Recorte
- candidaturas a presidente (14 no banco) constam apenas como contexto da disputa — resultados e monitor de debates — e ficam fora de todos os números deste percurso
- Coleta de dados
- importação idempotente do dataset oficial, com histórico de situação e proveniência por coleta
- O que já existe
- cadastro completo DF com atualização diária implementado
- O que permite investigar
- comparações entre grupos de candidaturas (cargo, gênero, raça/cor, escolaridade) nas etapas 5 e 6
- Patrimônio declarado
- 1.888 bens de 429 candidaturas (dataset bem_candidato do TSE) implementado — "sem bens declarados" é categoria real do dataset, distinta de patrimônio zero
Quem consegue estar presente? implementado
Como as candidaturas ocupam o ambiente digital — e como sabemos que um perfil é mesmo delas?
Plataformas não são canais neutros: cada uma tem arquitetura e affordances próprias que condicionam o que uma campanha consegue fazer nela (Bossetta). Por isso o Observatório não pergunta apenas se a candidatura tem perfil, mas onde, desde quando é observável e com que grau de certeza a identidade foi estabelecida. A base distingue explicitamente a identidade declarada — 2124 vínculos informados pelos próprios candidatos ao TSE — da identidade descoberta: perfis localizados por pesquisa assistida, verificados por requisição real e submetidos a validação humana (49 confirmados até agora, com registro de quem validou e quando). Perfis não confirmados nunca entram em análise, API ou exportação.
A observação já não se limita ao mapa de presença nem a uma única plataforma: 1.676 perfis têm série própria de audiência em 6 redes (Instagram, Facebook, TikTok, X, YouTube e sites declarados). Quando uma candidatura declara mais de um perfil na mesma rede, qual deles responde pela série semanal é decidido por regra publicada — confirmado por validação humana primeiro, depois a maior audiência medida —, e a série bruta dos demais perfis é preservada em qualquer decisão.
- Pergunta
- em que plataformas cada candidatura está presente, com identidade rastreável
- Dados
- 2.124 vínculos declarados · 49 confirmados por validação humana · 12 plataformas declaradas · 1.676 perfis medidos em 6 redes · 11.464 medições de perfil
- Coleta de dados
- máquina de estados da identidade (declarado → encontrado → confirmado/descartado) com evidência e trilha de auditoria
- O que já existe
- mapa de presença por plataforma, medição periódica de audiência em 6 redes e regra publicada de perfil principal implementado
- O que permite investigar
- presença digital como fenômeno comunicacional — ocupação do ambiente, não mera existência de conta
- Base acadêmica
- Bossetta — arquiteturas e affordances das plataformas de campanha
Quem consegue produzir e distribuir mais? implementado
Como as campanhas utilizam publicidade política digital?
Em um sistema híbrido de mídia (Chadwick), a campanha circula entre palanque, imprensa e plataformas — e o Observatório acompanha quatro registros públicos dessa circulação. A publicidade paga: 81.875 anúncios políticos da Meta Ad Library, veiculados por 1.141 páginas anunciantes desde 02/2020, com período de veiculação, plataformas de exibição, faixas de impressões e peças textuais pesquisáveis. O gasto deixou de ser apenas faixa: o Relatório da Biblioteca de Anúncios da Meta informa o valor exato por anunciante (1.267 páginas, relatório mais recente de 23/10/2026); a faixa permanece como recurso secundário, apenas onde o relatório não cobre. A produção orgânica: 28.869 publicações dos perfis observados e 24.486 comentários preservados, com 1.286 peças de maior circulação destacadas por semana. O assunto de que cada campanha fala: 37.354 textos etiquetados por um léxico de 22 pautas, dos quais 37.353 já passaram por conferência automática que só publica a etiqueta quando cita um trecho verificado no próprio texto — a etiqueta afirma que a peça fala do assunto, nunca a posição defendida, a prioridade ou a proposta. E a imprensa: 5.357 menções a candidaturas em veículos monitorados, com casamento conservador (nomes de urna de um só token entram marcados para triagem humana, nunca somados em silêncio). O anúncio segue sendo a unidade elementar de observação da pesquisa (o que se observa), sempre encadeada às demais: anúncio → candidatura → semana.
- Pergunta
- quem anuncia, quando, em que plataformas e com que intensidade
- Dados
- 81.875 anúncios · 1.141 páginas · gasto exato por anunciante · 28.869 publicações orgânicas · 24.486 comentários · 37.354 textos com pauta identificada · 5.357 menções na imprensa
- Coleta de dados
- coleta diária com vínculo anúncio–candidatura heurístico e auditável (confiança registrada), série de observações por conteúdo
- O que já existe
- acervo longitudinal com busca textual em português, gasto exato por anunciante, pauta por peça e menções na imprensa implementado
- O que permite investigar
- a publicidade como prática comunicacional situada no tempo da campanha
- Limite documentado
- Google retirou anúncios eleitorais brasileiros de seu repositório público; TikTok não mantém biblioteca no país — o gasto fora da Meta só aparece pela via da etapa 4. A pauta é identificada apenas sobre texto: vídeo sem legenda, imagem com texto embutido e áudio ficam fora, e toda proporção sai sobre as peças com texto, nunca sobre o total
- Base acadêmica
- Chadwick — sistema híbrido de mídia
Quem dispõe de mais recursos? implementado
Como os recursos econômicos entram na comunicação digital?
Comunicação custa dinheiro, e desigualdades de recurso são parte clássica da explicação das desigualdades políticas — desde que "recurso" não vire rótulo automático: a leitura em termos de capitais (Bourdieu) é horizonte interpretativo, não etiqueta aplicada a qualquer cifra. O Observatório ingere a prestação de contas eleitoral do TSE (80.483 itens de despesa, 2.517 deles de impulsionamento de conteúdo, e 7.740 itens de receita), preservando duas distinções que protegem a análise: despesas contratadas e pagas são estágios da mesma despesa e nunca são somadas entre si; e, quando o TSE substitui uma entrega, a linha anterior deixa de contar — só a versão vigente entra em qualquer soma. Ao lado do dinheiro da campanha está o capital econômico anterior à disputa: o patrimônio declarado no registro da candidatura (1.888 bens de 429 candidaturas), que permite perguntar se a desigualdade comunicacional acompanha a desigualdade patrimonial, e não apenas a de arrecadação. Fornecedores são classificados — inclusive gateways de pagamento que intermediam plataformas e mascaram o destino final do gasto, caso em que nenhuma plataforma é atribuída. A relação entre financiamento e publicidade observada é apresentada sempre como associação, não causalidade.
- Pergunta
- que volume de recursos declarados alimenta a comunicação digital das campanhas
- Dados
- 80.483 despesas e 7.740 receitas vigentes · impulsionamento · fornecedores · gateways · 1.888 bens declarados
- Coleta de dados
- ingestão com travas anti-duplicação (contratada ≠ paga; unicidade por conteúdo do item) e marcação de linhas substituídas por nova entrega do TSE
- O que já existe
- financiamento declarado (despesas, receitas e patrimônio) cruzável com a publicidade observada implementado
- O que permite investigar
- a dimensão econômica da comunicação — quanto do dinheiro da campanha vira presença paga
- Base acadêmica
- Bourdieu (uso comedido) — recursos e posições desiguais no espaço social
Como essas diferenças evoluem? implementado
Como a presença e a intensidade da comunicação eleitoral evoluem durante a campanha?
Este é o compromisso central do desenho: observar a campanha enquanto ela ocorre, em vez de reconstruí-la apenas depois da eleição. A cada semana ISO, a base consolida métricas por candidatura — seguidores e sua variação, anúncios novos e ativos, faixas de gasto e impressões, despesas declaradas, índice de presença digital e estrutura digital de campanha. São 17 semanas calculadas (2026-W27 a 2026-W43), com metodologia versionada e persistida (8 versões registradas; quando uma regra muda, a série é recalculada desde o início e a versão anterior é preservada, não apagada). E a cada semana um release científico imutável e citável congela o corte (11 publicados; o mais recente: OPDE-DF-2026-W43), com soma de verificação por arquivo — correções geram revisões, nunca sobrescrevem o original. Ausência de dado nunca é convertida em zero: cada métrica carrega o seu motivo (não coletado, sem perfil, não encontrado na fonte).
- Pergunta
- que trajetórias as campanhas descrevem — aceleração, constância, retração
- Dados
- séries semanais por candidatura · 17 semanas · 11 releases citáveis
- Tratamento dos dados
- agregação semanal determinística (candidatura × semana ISO, horário de Brasília), metodologia versionada, releases imutáveis
- O que já existe
- séries temporais e releases científicos implementado — a série de seguidores começa em ago/2026, início da coleta de métricas de perfil
- O que permite investigar
- a campanha como processo: quando cada candidatura entra, intensifica ou abandona a comunicação paga
Há desigualdade comunicacional? implementado
Os recursos das candidaturas estão associados a diferenças em sua capacidade de comunicação digital?
A literatura sobre campanhas digitais mostra que a adoção de tecnologia não é uniforme: depende da organização, dos recursos e da capacidade de cada estrutura de campanha (Gibson; Römmele) — sem que "estrutura digital" deva ser traduzida automaticamente como "profissionalização", termo que carrega julgamentos que os dados não sustentam. E a pesquisa sobre desigualdade política digital (Lane; Gagrčin; Pan) indica que a participação e a visibilidade online reproduzem, com frequência, assimetrias sociais preexistentes. A camada analítica cruza as características da etapa 1 e os recursos da etapa 4 com a presença, a publicidade e as trajetórias das etapas 2, 3 e 5: cortes por cargo, partido, gênero, raça/cor, escolaridade, ocupação e faixa de patrimônio declarado, sempre com N, cobertura, mediana e quartis — e comparações de intensidade publicitária feitas apenas entre candidaturas do mesmo cargo. O eixo é desigualdade de recursos → capacidade digital → publicidade e visibilidade, lido como associação descritiva; nenhuma correlação é apresentada como explicação causal.
- Pergunta
- como características sociais e recursos econômicos se distribuem em relação à presença e à publicidade digital
- Dados
- cortes sociodemográficos oficiais × métricas semanais × percentis por cargo
- Análise de dados
- estatística descritiva e comparativa com cobertura explícita; indicadores compostos sempre decompostos em seus componentes
- O que já existe
- área de desigualdade digital da camada analítica implementado
- Corte por patrimônio
- disponível em faixas, com "sem bens declarados" como categoria própria implementado
- Base acadêmica
- Gibson; Römmele — organização e adoção tecnológica nas campanhas · Lane, Gagrčin, Pan — desigualdade política digital
A IA reduz ou amplia essas assimetrias? agenda de pesquisa
Em que medida as desigualdades de recursos entre candidaturas estão associadas a assimetrias de capacidade comunicacional digital, e a adoção da inteligência artificial generativa reduz ou amplia essas diferenças ao longo das eleições de 2026 no Distrito Federal?
Esta etapa ainda não existe. Nada no Observatório hoje detecta, classifica ou mede uso de IA. Aqui a inteligência artificial generativa entra não como tema tecnológico, mas como tecnologia capaz de alterar a distribuição de capacidade comunicacional entre as campanhas: a questão é se ela reduz barreiras de produção ou amplia vantagens já existentes. O terreno que torna isso investigável já está posto: um acervo longitudinal de anúncios com peças textuais arquivadas e referência a cada criativo (etapa 3), a régua de recursos (etapa 4), as séries temporais (etapa 5) e a moldura de desigualdade comunicacional (etapa 6). A pesquisa recente sobre IA em campanhas (Jungherr; Rauchfleisch; Wuttke) recomenda não reduzir o fenômeno ao deepfake: ferramentas generativas atravessam a produção das peças, as operações da campanha, o alcance e a persuasão — inclusive em usos banais e legítimos. A futura análise pretende observar separadamente texto, imagem, vídeo, áudio e voz, e as peças multimodais que os combinam.
As etapas 2–6 já permitem confrontar H1 (desigualdade de recursos e capacidade comunicacional); esta etapa fornecerá a medida de adoção de IA que faltará para confrontar H2 (democratização pela IA), H3 (reprodução ou ampliação da desigualdade) e H4 (difusão temporal), apresentadas no desenho da pesquisa no início desta página — comparando, semana a semana, recursos, estrutura digital e padrões de adoção. Nenhuma das hipóteses é resultado — são expectativas rivais que a infraestrutura existente permitirá confrontar com dados.
Método previsto: evidências, não veredito agenda de pesquisa
A análise futura não será um "detector de IA" binário. A atribuição se apoiará em evidências multimodais convergentes — credenciais de conteúdo e proveniência (C2PA/Content Credentials), metadados dos arquivos, disclosures exigidos pelas plataformas, identificadores de conteúdo sintético, detectores especializados usados como indício (nunca como sentença) e validação humana, no mesmo desenho já usado para a identidade digital na etapa 2. O resultado será uma classificação graduada:
| Classe | Leitura |
|---|---|
CONFIRMED_AI | evidência forte e verificável de geração por IA (ex.: credencial de proveniência) |
PROBABLE_AI | múltiplos indícios independentes convergem |
POSSIBLE_AI_ASSISTANCE | indícios de uso auxiliar de IA na produção da peça |
NO_AI_EVIDENCE | nenhuma evidência encontrada — o que não significa "produzido por humano": significa apenas que as evidências disponíveis não permitem afirmar uso de IA |
INDETERMINATE | material insuficiente ou inacessível para avaliação |
A unidade de análise se desdobra agenda de pesquisa
Hoje o modelo encadeia candidatura → perfil → anúncio → tempo. A agenda futura desdobra o anúncio em suas peças:
Elementos tracejados indicam a camada futura (agenda de pesquisa); os demais existem no modelo atual. O acervo de hoje arquiva as peças textuais e a referência de cada criativo; a coleta sistemática de mídia (imagem, vídeo, áudio) integra a etapa futura.
Quem converteu presença em voto? próxima etapa
A capacidade comunicacional observada durante a campanha acompanha o desempenho das candidaturas nas urnas?
O desenho observa a campanha enquanto ela ocorre; a eleição é o momento em que esse processo recebe um desfecho público e oficial. O Observatório carrega o resultado urna a urna publicado pelo TSE — 2.320.608 linhas de votação por seção do 1º turno (carregadas em 26/10/2026), 6.969 seções, 2.243.988 eleitores aptos e 1.817.921 comparecimentos — e o vincula ao cadastro pela sequência oficial de cada candidatura: 605 candidaturas do Distrito Federal constaram da totalização oficial, 563 delas com série própria de audiência medida pelo Observatório; 34 foram eleitas e 215 ficaram como suplentes. A votação do 2º turno já está carregada pela mesma rotina. O voto entra na pesquisa como atributo da candidatura ao fim do processo, e não como novo fenômeno: a pergunta é se as diferenças de presença, audiência, produção e publicidade observadas nas etapas 2 a 4 acompanham diferenças de desempenho eleitoral dentro de um mesmo cargo — as hipóteses H5 e H6 do desenho, rivais entre si.
A análise que responde a essa pergunta ainda não existe. O que já há relaciona voto a dinheiro: a ficha de resultado de cada candidatura apresenta despesa e receita por voto, e a comparação por cargo põe lado a lado votos, gasto declarado, gasto exato na Meta, número de anúncios e seguidores no Instagram — uma tabela, sem medida de associação. A próxima etapa é a medida de associação, por cargo e turno, entre cada dimensão de capacidade comunicacional e o desempenho nas urnas, com N, cobertura, mediana e quartis, no mesmo padrão descritivo da etapa 6. Duas cautelas são constitutivas: o voto é contado por seção e a comunicação é observada por candidatura, de modo que a associação só pode ser lida no nível da candidatura, nunca do eleitor; e a proporção de votos válidos só é comparável dentro do mesmo cargo e turno — votos de legenda não pertencem a candidatura alguma.
- Pergunta
- se a capacidade comunicacional observada durante a campanha acompanha o desempenho das candidaturas nas urnas, por cargo e turno
- Dados
- 2.320.608 linhas de votação por seção · 6.969 seções · 605 candidaturas totalizadas, 563 com audiência medida · 34 eleitas · 215 suplentes
- Coleta de dados
- importação idempotente dos arquivos de votação por seção, detalhe de comparecimento e locais de votação do TSE, com soma de verificação por arquivo e vínculo ao cadastro pela sequência oficial da candidatura
- O que já existe
- resultado urna a urna do 1º turno, ficha de resultado por candidatura com despesa por voto, mapa por Região Administrativa e comparação por cargo com gasto, anúncios e seguidores lado a lado implementado
- Próxima etapa
- medida de associação entre as dimensões de capacidade comunicacional (etapas 2 a 4) e o desempenho eleitoral, por cargo e turno próxima etapa
- 2º turno
- votação do 2º turno carregada implementado
- Limite documentado
- o voto é contado por seção e a comunicação por candidatura: a associação é lida no nível da candidatura, nunca do eleitor; a proporção de votos é comparável apenas dentro do mesmo cargo e turno; votos de legenda não pertencem a candidatura
O que atravessa todas as etapas
Proveniência, longitudinalidade, versionamento, auditoria e reprodutibilidade não são etapa: são o fio que costura o percurso. Cada dado bruto coletado é preservado de forma imutável com soma de verificação (4008 artefatos brutos até agora); observações novas nunca sobrescrevem observações antigas; as fórmulas dos indicadores são versionadas e publicadas junto dos dados; decisões humanas (confirmar um perfil, aprovar um membro) deixam trilha de quem e quando; e os releases semanais permitem que qualquer pesquisador refaça uma análise sobre exatamente o mesmo corte que a originou. É essa disciplina que autoriza as etapas 7 e 8: uma futura classificação de IA só terá valor científico se cada rótulo puder ser rastreado até as evidências que o produziram, e uma associação entre comunicação e voto só terá valor se cada número puder ser refeito sobre o mesmo corte.
Governança e integridade da pesquisa
O Observatório opera sobre infraestrutura da CRIVO, que também presta serviços digitais a candidaturas — inclusive algumas presentes neste universo de pesquisa. Essa condição está declarada na documentação metodológica e será declarada em qualquer publicação. As regras analíticas são idênticas para todas as candidaturas, por construção: os indicadores são calculados em uma única passada sobre o universo completo, sem qualquer tratamento particular. O painel analítico é de acesso restrito ao grupo de pesquisa, e os dados saem por vias declaradas: releases citáveis com metodologia anexada, esta página pública de acompanhamento e uma área de redações aberta a jornalistas mediante acordo de uso, que exige crédito à pesquisa e às fontes primárias. Em todas elas valem as mesmas regras de cálculo, a mesma exigência de citar a fonte e a mesma recusa em converter ausência de dado em zero. A disputa presidencial está fora do recorte por decisão registrada (tamanho do universo, ruído de anúncios de terceiros e limites de coleta), podendo aparecer em pesquisa apenas como contexto descritivo.
Observatório da Presença Digital Eleitoral 2026 · Grupo de Pesquisa Mítica, Mídia e Política. Fontes primárias: TSE Dados Abertos (candidaturas, redes declaradas, prestação de contas e bens); Meta Ad Library (arquivo de anúncios e Relatório da Biblioteca de Anúncios); observação de perfis públicos; RSS de veículos de imprensa. Acesso de pesquisa via API autenticada e releases científicos.